quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Vestibular: Alegria e orgulho da vitória

Por: Ercio Bemerguy

Na manhã desta quarta-feira 04/01/2012, voltei a assistir, em Belém, um espetáculo bonito: centenas de jovens vibrando, festejando com muita alegria e exibindo pela cidade inteira as suas cabeças raspadas, enchendo de orgulho os seus parentes e amigos porque “passaram” no Vestibular da UFPA. O anuncio de seus nomes através das emissoras de rádio, da internet, e, amanhã, nos jornais, é uma glória, é o coroamento do esforço, da dedicação aos estudos e da realização de um sonho. Entretanto, essa justificada euforia, exige, desses jovens calouros, uma analise paciente e cuidadosa para saber se realmente fizeram a escolha certa quanto ao curso para o qual foram aprovados e que poderá levá-los a exercer uma profissão, que, muitas vezes, não é compatível, não se encaixa perfeitamente no seu perfil, na sua vocação. E, convenhamos, uma opção errada poderá causar frustrações futuras. Quantos, por exemplo, são graduados em Direito, quando na verdade têm aptidão para arquitetura? Outros são dentistas e, levados pela natural vocação, exercem atividades ligadas à área de administração de empresas.

É preciso, também, que os universitários reflitam e estejam preparados para enfrentar as incertezas, as decepções, os fracassos, que certamente cada um deles estará sujeito durante o transcorrer do curso e depois da sua conclusão.

Geralmente, no dia da tão almejada colação de grau, em meio aos muitos festejos, transparece nos olhos dos novos engenheiros, médicos, enfermeiros, economistas e de outras tantas profissões, a legítima sensação de vitória gerada pelo término de uma longa e difícil jornada, pois intermináveis vigílias e tantas renuncias dolorosas - baladas, cinema, praia, etc. - custaram a todos eles a conquista do tão ambicionado diploma. Mas, são os percalços, as dificuldades, as lágrimas e os revezes que valorizam e imprimem o mais intenso brilho à vitória alcançada, afinal, não há tanto mérito em um triunfo que não exige o máximo de nós mesmos.

Existe muita beleza, sim, nesse combate duro, nessa luta da qual participam mulheres e homens ricos e pobres, brancos e negros, enfim, gente de toda espécie e de todas as idades, que se empenha vida afora, para concretizar um desejo, para tornar real uma aspiração que representa o sentido, o objetivo maior de toda uma vida, não só deles e delas, mas, sobretudo, de seus pais. Por outro lado, é preciso compreender que o recebimento do “canudo-de-papel” representa apenas o fim de uma etapa, um período importante da vida de todos os formandos.
A fase decisiva será exatamente a que vão seguir dali por diante, quando cada um irá aplicar, na rotina do cotidiano, aquilo que lhes foi ensinado, os conhecimentos que assimilaram ao longo de vários anos de aulas e de estudos. Ingressam, então, na vida prática, em uma hora bastante delicada, com tantas desigualdades, com tantas inversões de valores e, principalmente, com poucas oportunidades disponibilizadas no mercado de trabalho. Os índices de desemprego crescem cada vez mais. Infelizmente, a realidade é esta: poucos conseguem êxito, muitos amargam sucessivas decepções. É a vida...! Mas, com fé em Deus, coragem, seriedade, força de vontade e disposição de “correr atrás” em busca de um lugar ao sol, todos haverão de vencer, superando tudo para serem felizes. É o que desejo. Essa moçada merece!

Toma-te, enganador!

Por Ercio Bemerguy
E, por falar em eleição e em voto, este fato é verdadeiro: recentemente, em uma festa de arraial em uma cidadezinha do interior paraense, o morador do modesto lugarejo resolveu tirar sarro, gozar com a cara de um candidato a prefeito que, aproveitando-se do evento que reunia muitas pessoas, prometia mil coisas, querendo conquistar votos. Pois bem, no alto-falante do serviço de propaganda comercial e de divulgação de mensagens, instalado no local da festividade religiosa, foi pro ar este recado: "Ao político que vem aqui só em época de eleição e pensa que a gente é besta, dedicamos este postal sonoro"... E é rodada a bela e sugestiva canção interpretada por Roberto Carlos:  
 
"Falando sério.../ é bem melhor você parar com essas coisas/ de olhar pra mim com esses olhos de promessas.../ Falando sério.../ entre nós dois tinha que haver mais sentimento/ não quero seu amor por um momento/ e ter a vida inteira pra me arrepender..."
 
Isso prova que os nossos queridos irmãos caboclos sabem das coisas, sabem sugerir, de forma delicada, com romantismo e musicalmente, aos indesejados visitantes, o que deveria ser dito de forma mais direta, assim: "Te manda daqui, oportunista, enganador, safado! Já estamos cansados de sermos ludibriados com promessas e mentiras eleitoreiras."

Preservemos nossa identidade, nosso amor pela terra querida

Por Ercio Bemerguy
Santarém era uma cidade aconchegante, tranquila, pacata... Quase todos se conheciam. Vizinhos e amigos conversavam sentados em cadeiras colocadas nas calçadas em frente às suas residências localizadas nos bairros centrais ou da periferia, sem qualquer perigo de serem importunados por bandidos, gangues ou drogados.

Quem desfrutou, como eu, daqueles bons tempos da vida “mocoronga”, certamente não esquece que, quando os aviões da Cruzeiro do Sul, da Panair do Brasil, da Paraense ou da FAB, pousavam no antigo aeroporto, logo a notícia se espalhava: fulano chegou, beltrano viajou. Hoje, infelizmente, tudo isso mudou. De cada dez passageiros que chegam ou embarcam nas aeronaves, apenas um (ou nenhum) é conhecido. Só se vê pessoas desconhecidas. De onde vieram e o que vêm fazer na Pérola do Tapajós, ninguém sabe ou procura saber. Isso já se tornou rotina.

Não é só no aeroporto que isso acontece, mas em todos os cantos, como, por exemplo, no Bar Mascote, que era um tradicional ponto de encontro nos fins de tarde, de pessoas amigas, jovens ou não, cervejando e comentando os últimos acontecimentos e as mais variadas fofocas envolvendo coisas e gente da cidade. Agora, não, senta-se em uma das mesas e, apesar da presença de dezenas de homens e de mulheres, dificilmente aparece alguém que nos dirija a palavra ou um simples sorriso, pois quase todos os "mascoteiros” de hoje são forasteiros, são de outras plagas.
Conterrâneos, unamo-nos! Precisamos e devemos estreitar e preservar as nossas amizades, valorizar o nosso passado, as nossas tradições, os nossos valores, as nossas artes, a nossa cultura. O nosso amor por Santarém deve estar sempre latente para que possamos, juntos, e onde quer que estejamos, fazer valer o nosso direito de dizer: esta terra tem dono, é dos santarenos, sim. Caso contrário, e não vai demorar muito, seremos considerados estranhos e intrusos em nosso próprio berço.

Revista dos 50 anos da Rádio Rural de Santarém

Dia 17/11/2014 foi lançada, em Santarém, uma revista alusiva aos 50 anos da Rádio Rural, completados no corrente ano. A pedido do meu amigo e jornalista Manuel Dutra, escrevi um artigo (leia abaixo) contando alguns fatos referentes ao tempo em que atuei como locutor e apresentador de programas na referida emissora. 
MINHA ESCOLA, MINHA PAIXÃO!
Por Ercio Bemerguy
O COMEÇO
Lembro-me muito bem... Em fevereiro de 1965, estimulado pelo saudoso amigo e mestre Osmar Simões, fui fazer um teste para preencher uma vaga no quadro de locutores da Rádio Educadora de Santarém (hoje, Rádio Rural). Eram dez concorrentes e, após o julgamento do desempenho de cada um na leitura de textos comerciais e improvisação de um comentário obedecendo ao tema fornecido na hora, por Osmar, fui classificado em primeiro lugar, sendo logo escalado para apresentar, diariamente, o "Correspondente E-29", programa destinado a transmitir mensagens aos habitantes das localidades do interior do município de Santarém e cidades circunvizinhas.
No estúdio instalado no pequeno prédio localizado no bairro Carananzal, ainda muito nervoso e emocionado eu anunciava, por exemplo: "Alô, alô, Agapito Figueira, em Arapixuna! Sua esposa avisa que chegou bem e está com muita saudade do Oswaldinho (o competente profissional apresentador de programas em emissora de rádio FM e na televisão de Santarém). Quem ouviu esta mensagem favor transmiti-la ao destinatário".
A TRAJETÓRIA
Sempre desfrutando da confiança e da generosidade dos gerentes (Antônio Pereira, Francisca Carvalho, Haroldo Sena, Anadir Brito, Frei Juvenal e Manuel Dutra) e demais dirigentes da emissora, passei a apresentar programas de variedades por mim produzidos, sendo o primeiro deles o "Clube das Fãs" e, posteriormente, o "Desperta Amazônia" e o "EB Faz o Sucesso". Além destes, fazendo parceria com Osmar Simões, apresentei o "Domingo Após a Missa", primeiro programa de auditório da nossa querida rádio, na Casa Cristo Rei, das 9 às 12h, ou seja, após a missa das 8h celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Conceição. Tempos depois, o nome foi mudado para "E-29 Show", e passou a ser apresentado aos domingos, das 20 às 22h no mesmo local, com transmissão ´ao vivo` pela Rádio Rural.
No "EB faz o Sucesso" ou em transmissões externas, como repórter, tive a grata satisfação de entrevistar muitas personalidades importantes: governadores do Pará (Jarbas Passarinho, Fernando Guilhon, Aloisio Chaves e Jader Barbalho), presidente da República (Emílio Garrastazu Médici), artistas (Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Agnaldo Timoteo, Reginaldo Rossi, Jamelão e outros), jogadores de futebol (Garrincha, Pelé e Zico), religiosos (arcebispo Dom Alberto Ramos, bispos Dom Tiago e Dom Tadeu), prefeitos de Santarém (Paulo Lisboa, Ubaldo Correa, Ronan Liberal, Everaldo Martins, Antônio Guerreiro Guimarães, Jerônimo Diniz, Elinaldo Barbosa dos Santos e Ronaldo Campos).
O E-29 SHOW
Desembaraço, inteligência, disposição, humildade e carisma, foram as qualidades que fizeram do Edinaldo Mota, desde o início de sua carreira como radialista, um autêntico ídolo, sempre sendo alvo da admiração, do respeito, da simpatia e do carinho por parte de seus ouvintes. Por tudo isso, e muito mais, foi por mim convidado e prontamente aceitou ser o meu parceiro, o “animador” do “E-29 Show”. Na sua estréia, como é natural acontecer, ao enfrentar o grande público, mostrou-se nervoso (ele afirma que foi até vaiado), mas, logo, logo, reverteu a situação e demonstrou ser a pessoa certa para fazer a galera vibrar com o seu senso de humor admirável. Foi uma época marcante na história do rádio santareno, surgindo e sendo revelados através do nosso programa, inúmeros intérpretes, compositores, instrumentistas e grupos musicais, com muito sucesso. Entre eles e elas, Shirley Lima, Ray Brito, Fátima Oliveira, Leneide Bastos, Conceição Rebelo, Luiz de Assis, Antônio Wanghon e Teddy Max.
A atração que aglutinou maior número de espectadores do E-29 Show foi o “Festival Estudantil” em suas 5 etapas e cujos jurados eram Expedito Toscano, Machadinho, Wilson Fonseca e Emir Bemerguy. Os vencedores foram: Vera Silva (Melhor Cantora), Antônio Wanghon (Melhor Cantor) e Bianor Lima (Revelação).
Por ser um grande sucesso de público, de renda e de audiência, o “E-29 Show” foi inovando, inclusive contratando artistas de renome do cenário artístico nacional, mas, quando isto acontecia, as apresentações eram feitas em um palco armado no gramado do Estádio Municipal Elinaldo Barbosa, com o público acomodado nas arquibancadas. Jerry Adriani, José Roberto, o palhaço Carequinha, Waldick Soriano, Jamelão, Wanderley Cardoso, Agnaldo Timoteo, Teixeirinha, Trio Nordestino e Lindomar Castilho, em suas apresentações, atraíram número expressivo de espectadores.
DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO
Durante os seus 50 anos de fecunda existência, a Rádio Rural sempre desfrutou de grande audiência e, sobretudo, da credibilidade de seus ouvintes. Sempre foi e continua sendo, um respeitado veículo da informação atualizada, da mensagem evangélica que conforta, da música que enleva, do esporte que emociona. E mais: através da palavra dos competentes e corajosos profissionais que fizeram ontem ou que fazem hoje o uso de seus microfones, a Rádio Rural tornou-se porta-voz da população santarena que reclama, que pede providências, que sugere soluções para que possa viver melhor.
Do passado, merecem destaque os programas “Poemas e Canções”, apresentado pelos saudosos Emir Bemerguy e Osmar Simões; “Show da Tarde”, de Santino Soares; “A Tribuna Popular” e “O Assunto é Este”, do Osmar Simões; “Nossa Serenata”, de Eriberto Santos; “Trenzinho do Sucesso”, do Edinaldo Mota e os esportivos, cuja equipe era ´nota 10`: Dario Tavares, Tadeu Matos, Claudio Serique, Oti Santos, Guarany Júnior, Abib Bechara, Luiz Carlos Botelho, Jota Parente, Bena Santana, Miracildo Correa e muitos outros talentosos narradores, comentaristas e repórteres, todos comandados por Osmar Simões.
Eu guardo na memória, com muito carinho, os nomes dos ótimos locutores (Sinval Ferreira, Natalino Souza, Eduardo Ferreira, Leal de Souza, Gervasio Bandeira, Eulálio Belizário, Tony Reis e Walter Pinheiro, entre outros); dos ´controlistas de som` (Cesário Torres, irmãos Tadeu e Erasmo Maia, João Brito, Jubal Cabral, Silvério Rodrigues, Juredir Braga, Evadir Cardoso e Wilton Dolzanes); do pessoal do escritório (Getulio Sarmento e Conceição Castro), da discotecária (Maria dos Remédios); do pessoal da assistência técnica (Frei Nestor, Frei Roberto, Rostand Malheiros, Djalma Serique e Fernando Guarany), enfim, de todos os colegas com os quais tive a felicidade de trabalhar e conviver em clima de fraterna amizade e, acima de tudo, de entusiasmo e de dedicação para fazermos, juntos, a grandeza da nossa emissora que sempre foi e será o "xodó do povo".
COPA DO MUNDO DE 70
Já que estamos em clima de Copa do Mundo, destaco aqui um fato interessante: na Copa de 70, os santarenos dispunham de uma única opção para acompanhar os jogos: ouviam as rádios - Rural ou Clube (ZYR-9) - que retransmitiam o som da Rádio Globo, captado com a utilização de potentes aparelhos receptores de 6 faixas que, apesar do som que não era de boa qualidade, com muita ´chiadeira` em alguns momentos, o público-ouvinte acompanhava atentamente e com muita emoção, o relato das geniais jogadas dos craques da seleção brasileira: Pelé, Rivelino, Jairzinho, Clodoaldo, Gerson e demais ´canarinhos`, que naquele ano conquistaram o tricampeonato.
O estúdio da Rádio Rural era na travessa dos Mártires, em frente à Casa Cristo Rei. Ao lado do prédio havia uma grande área e, ali, debaixo de uma frondosa mangueira, nos dias de jogos na nossa seleção, era estacionado o famoso jeep do Otávio Pereira (Serviço de Propaganda Volante Guarany), com possantes alto-falantes que retransmitiam o som da Rural. Vendedores de bebidas ´bamburravam` no faturamento, vendendo muitas ´geladas` às centenas de pessoas que se juntavam naquele local em clima de muita euforia, muita festa.
Certamente, se dispuséssemos naquela época dos recursos tecnológicos de hoje, naquele aprazível espaço assistiríamos todos os jogos em grandes telões, ao vivo, pela televisão. Faltava isso, é verdade, mas não faltava a empolgação, o entusiasmo, para torcermos juntos pelo Brasil.
MINHA ESCOLA, MINHA PAIXÃO!
Ao longo desses seus 50 anos, a Rádio Rural prosperou bastante. Transformou-se numa emissora moderna, operando com o que existe de melhor em termos de recursos tecnológicos e humanos, produzindo excelente programação. Para isso, conta com profissionais altamente qualificados, em sua maioria gente nascida na Pérola do Tapajós, prova de valorização dos talentos locais. E, da minha parte, tenho o privilégio de dizer como o poeta: “meninos, eu vi”... como tudo isso começou, e sinto saudade do convívio diário e fraterno com os meus colegas de trabalho, pois atuávamos à base de colaboração mútua, transpondo todas as dificuldades na mais perfeita sintonia do sentir, do pensar e do querer fazer sempre o melhor, superando até mesmo as nossas próprias limitações. Valeu! Parabéns, Rádio Rural, minha escola, minha paixão!
Finalizo estas ´mal traçadas linhas` com este versinho que uma ouvinte enviou, em 1967, ao meu programa “EB Faz o Sucesso”, por ocasião dos festejos do 3°aniversário da nossa querida rádio:
Parabéns! ´Família Rural`
Gente boa, gente competente, gente capaz
Gente amiga, gente trabalhadora, gente leal
Colocando amor no que fez e no que faz

Eleitor(a), reflita!

Por Ercio Bemerguy
O voto é uma expressão da dignidade humana. Por isso, o voto não se compra, não se vende, não se troca por uma camisa, por uma dentadura, enfim, por nada. Seria aviltar a pessoa, reduzi-la à condição de objeto, de mercadoria. O voto é uma espécie de procuração: concede-se aos eleitos, para agir em nome dos cidadãos, das cidadãs, ou seja, em nosso nome. O voto é um direito e um dever, é preciso exerce-lo com honestidade, dignidade e responsabilidade. É imprescindível escolher os melhores candidatos, as melhores candidatas aos cargos de prefeito e de vereador.
O dia da eleição está pertinho. Mas, ainda há tempo suficiente para refletirmos muito bem sobre quem merece o nosso voto. Ainda há tempo para analisarmos o perfil de cada candidato(a). Precisamos avaliar quem é realmente capaz de contribuir para a melhoria das condições de vida dos habitantes da cidade onde vivemos.
É natural que, em decorrência dos sucessivos escândalos de corrupção envolvendo políticos, o povo considere os honestos e os desonestos como sendo farinha do mesmo saco. Mesmo assim, se soubermos escolher deixando de lado as paixões partidárias e as de caráter ideológico, por certo concluiremos que ainda existem políticos sérios, confiáveis e incapazes de fazer com que os seus interesses pessoais sobreponham os de ordem coletiva. Nestes, devemos votar. Entretanto, a grande maioria não merece mesmo uma nova chance de vitória nas urnas. Merece, sim, o repúdio dos eleitores que já estão enojados e cansados de suas caras e promessas não cumpridas. Pensem nisto!
O sistema democrático coloca em nossas mãos esta arma poderosa que é o voto. Então, vamos usa-lo corretamente. Para isto, é recomendável que levemos no bolso quando formos votar, a "cola", isto é, uma listagem contendo os números identificadores dos candidatos ou das candidatas que selecionamos para serem contemplados(das) com os nossos votos. Mas, não devemos jogar fora a "cola". É preciso guardá-la para não esquecermos em quem votamos, e possamos cobrar, de quem for eleito(a), o cumprimento de todos os compromissos assumidos para a concretização do desejo de todos nós: uma sociedade mais justa, solidária, cheia de paz e muito feliz, sem tantas desigualdades sociais.

Deste mico eu não esqueço

Por Ercio Bemerguy.
Na década de 80, em Santarém, bom mesmo era participar, sexta-feira, das festinhas realizadas no Tuna Bar. Eu e a minha turminha de amigos – Paquita, Lezildo, Galo, Rodolfo, Durvani e outros – chegávamos cedo, antes mesmo de serem armadas e arrumadas as mesas e as cadeiras no salão. Éramos considerados “de casa”. Era ótimo estar lá, vendo e sendo visto por gente de todas as classes sociais em perfeita convivência fraterna num ambiente simples, porém muito alegre, muito agradável e, sobretudo, muito seguro, sem assaltos, sem drogas.

O som era de uma potente e moderníssima eletrola rodando os elepês da moda. O cardápio era o básico: cerveja, refrigerante, cuba-livre, tira-gosto de lingüiça frita com farofa, bolinho de piracuí, filezinho e isca de peixe.

Em uma dessas noitadas festivas e gostosas, em plena solteirice, eu estava sentado sozinho em uma das mesas a espera dos meus parceiros de farra. De repente, aproximou-se de mim um cidadão moreno, alto, forte, e entre nós rolou esta conversa:

Ele - Tu não és o Ercio Bemerguy, da Rádio Rural?”

Eu - Sou eu mesmo, respondi.

Ele - Eu ouço sempre e gosto do teu programa EB Faz o Sucesso.

Eu - Como é o seu nome?

Ele - Sou o Luiz Paulo, trabalho na Tecejuta e moro no bairro do Santíssimo. Tu vens sempre aqui?

Eu -Toda sexta-feira a minha diversão é aqui.

Ele - Esta é a minha primeira vez e estou adorando, tem muita mulher bonita, não é?

Eu – Tem sim, para todos os gostos. Mas, hoje, a melhor de todas é aquela louraça que está dançando com aquele magrinho que parece ser "bicha". Concordas?

Ele – Vou te perdoar, Ercio, porque com certeza não sabes que ela é a minha esposa e está dançando com o irmão dela, meu cunhado, que não é "fresco", não. É muito macho!

Felizmente, nesse instante chegou o meu amigo Galo e passamos, os três, a falar sobre futebol, lamentando a última derrota do meu São Francisco para o Fluminense, por 3 x 1.

Quando eu pensava que a gafe que eu havia cometido estava superada, eis que se aproximou de nós a “louraça”. E, o maridão, com sua voz grossa, de machão, disse: “Ercio, esta é a Djanira, a minha mulher. Vai dançar com ela, vai, aproveita este samba arretado que está tocando.” – Eu fui? Nem morto...

O Tuna Bar tinha tudo que um bar precisa para ser perfeito: diversão sadia, excelente tratamento aos seus freqüentadores, bebidas bem geladas, preços bons e uma placa avisando: “Fiado só para maiores de 90 anos acompanhados de seus pais”.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Teddy Max surgiu no E-29 Show

 Foto que registra o início da bela e vitoriosa carreira artística de Teddy Max. Aparecem: eu (Ercio), Ted e Edinaldo Mota. Ao fundo, participantes do E-29 Show.
Em entrevista concedida em agosto de 2007 ao jornal santareno "O Estado do Tapajós", o saudoso cantor Teddy Max lembrou que iniciou a sua carreira artística "cantando, na década de 70 no programa E-29 Show, justamente no dia do aniversário da Rádio Rural, embaixo de uma mangueira em frente da Casa Cristo Rei, e conquistei o primeiro lugar na disputa do ´Melhor Cantor` e recebi troféu entregue pelos excelentes apresentadores, meus amigos Ercio Bemerguy e Edinaldo Mota". 
A mangueira citada por Teddy, era no terreno do prédio onde funcionavam o escritório e o estúdio da Rádio Rural, no térreo, e, na parte superior, o Movimento de Educação de Base (MEB). 
O seminarista Benedito Costa Filho adotou o nome artístico Teddy Max e fez muito sucesso no Pará, no Brasil e até no exterior, interpretando, com sua belíssima voz,  musicas de todos os gêneros, mas uma delas é até hoje considerada a sua marca, a sua cara: "Ao Pôr do Sol".